Meu Deus! Ele rasgou o cu!

Lincon nasceu no Brasil no meio do carnaval carioca de 1987. Sua mãe era natural do Rio e seu pai texano, moraram nos EUA desde seu casamento em 1982. Mudaram-se para o Brasil em 2005, mas todo final de ano iam ver a família do Mr Anderson, residentes do Tennessee. Na última viagem, ouviu algo que ficou reverberando em sua mente nos últimos 11 meses. Vizinha de seu Tio Ben, Margareth, disse para ele depois que transaram no galpão da sua família:

— Vocês brasileiros são muito atrasados… Só querem comer buceta.

Faltavam 3 dias para eles embarcarem para o Tennessee. A família do Mr Anderson se mudou para Murfreesboro, cidade do interior do estado, após o F-5, Tornado Jarrell devastar o estado do Texas. Sua família sofreu mais uma vez com o temor de um tornado. Um EF-4 matou 2 pessoas em Murfreesboro no ano de 2009. A população nunca entendeu muito bem as diferenças das escalas Fujita scale(Fs) e Enhanced Fujita scale(EFs), mas sabiam que qualquer coisa superior ou igual a 3 era igual à tragédia. Nas férias de 1995, ainda menino, viu pela primeira vez a ferocidade de um ‘mero’ F-2 em Houston. Toda vez que escutava rumores de furacões se aproximando, Lincon sentia calafrios, pois ele nunca deixou as memórias do último furacão padecerem. Anos depois, um outro cilindro, um pote de Pringles sabor Tortillas enterrado no rabo, o deixou com essa obscura sensação de vazio quando retirado pelos paramédicos. Margareth sabia do seu trauma com tornados, mas não do seu trauma anal.

— Meu Deus! Ele rasgou o cu! —  Dizia uma enfermeira para a outra, em choque, enquanto via passar rapidamente as luzes dos corredores do hospital totalmente ébrio de anestesia.

Foram 4 horas de cirurgia. Seu pai nunca o olhou da mesma forma. Sulista dos States, altamente homofóbico, republicano dos mais conservadores, achava seu filho uma vergonha para a sociedade. Lincon era um menino de mente aberta. Sua posição política centro-esquerda sempre foi motivo de discussões na mesa de jantar com a família. Era contra a política armamentista. ao contrário do que pensava seu pai, não era gay. Gostava de usar seu corpo como todo. “O cu é meu. O prazer que sinto com ele não define minha sexualidade. E SE EU FOSSE GAY. QUAL SERIA O PROBLEMA, CUZÃO?”, pensava. E não passava disso. Sabia que o embate seria físico, ou talvez bélico, caso dissesse isso para seu pai.

Lincon vai pros States meses depois. Demora alguns dias até ter coragem de bater na casa da Margareth. Passou 3 dias na frente da casa dela, mas não teve coragem de chama-la. O pai dela lembrava muito o seu; Ele tinha uma escopeta. Achava que tinha saído de uma série dos anos 70, de bigode e tudo.
Quando teve coragem de falar com ela, ela o convidou para seu quarto. Pelada, pede pra Lincon meter no seu cu. Ele fica com medo. A cada penetrada de dedo, ele sentia no próprio rabo. Quando tenta meter, broxa. Começa a chorar “eu não consigo…”, lamentava em português. Ela não entendia o que ele estava dizendo e o que estava acontecendo. Levantou a cabeça e disse o mais triste “i can’t do it” que alguém pudesse ouvir. Como um pintor que não conseguisse mais enxergar as cores ou um músico que não pudesse diferenciar os tons.

 

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