Escola sem partido

Estava há pouco me perguntando por que nunca tinha me interessado tanto por historia e sociologia nos tempos de escola como agora, lendo por conta própria, decidindo que caminhos e civilizações seguir estudando; veja, quanto à História, percebo que tive um esclarecimento muito raso sobre algumas linhas de pensamento, como o anarquismo por exemplo. A forma que foi me passada, foi que, essa visão política, era somente ligada à baderna e caos. Nunca tinha ouvido sequer falar em Proudhon, considerado pai do Anarquismo. Me surpreendeu ver que seus escritos eram bem lógicos e claros, mesmo que eu não pudesse concordar com sua visão, lendo-o, vi um homem inteligentíssimo; inclusive, já profetizava que o comunismo seria um regime autoritário, estatal e dogmático, décadas antes da revolução russa. Pois bem, essa professora enchia os olhos de lágrimas de orgulho quando falava sobre o liberalismo. Ela, esposa de um empresário, que em todas as aulas o botava como referencia de vitória de vida, dirigia um Fiat Brava. Na época era carro de rico, quase não víamos esse tipo de carro pelas ruas do bairro da Praça Seca, no Rio de Janeiro.

Anos mais tarde, no ensino médio público, tive contato com a sociologia. No colégio inteiro só havia uma professora da matéria. Militante da esquerda que não conseguia guardar suas opiniões políticas para si, mesmo que elas não tivessem ligação alguma com o tópico que lecionava. Paralelamente, o professor de filosofia incitava à duvida, o questionamento e os diversos caminhos e formas de pensar. Essa professora, de sociologia, só aceitava como correto o que ela achava correto, politicamente e economicamente falando.

É ingênua a preocupação de quem acha que um professor, como esses, que ensinam de forma tão rancorosa e implacável, quanto às suas opiniões, possam, de fato, influenciar ou doutrinar alunos. Um ídolo que fala de forma tão descontrolada das opiniões diferentes e de forma tão fantasiosa sobre as suas próprias idéias; esse professor não é, nem será, interessante para o aluno. É incrível como Proudhon, por exemplo, conseguia se botar alheio às essas questões quando analisava importantes ideias abordadas por Karl Marx, Adam Smith, David Ricardo, que tinham visões políticas completamente diferentes da sua.

A gente aprendeu, com o tempo, como ser aprovado nessas matérias. Era simples: Falando o que eles queriam ouvir, escrevendo o que queriam ler e, em momento nenhum, ninguém foi doutrinado a nada, ninguém deixou de pensar diferente por esse motivo, o que é uma pena, a meu ver, nenhuma questão gerar um conflito interno durante o curso inteiro de sociologia. Por outro lado, o que nos fazia mudar de opinião era a reflexão e questionamentos estimulados por professores como o de Filosofia. Ele mostrava os caminhos, e nós escolhíamos qual deveríamos trilhar e, caso chegássemos a um caminho sem fim, ou inacessível para nosso compreendimento, voltávamos e tentávamos outros caminhos diferentes, sempre discutindo em grupo, expondo nossas visões do que achávamos correto naquele momento de escolha.

O professor que admirávamos não era aquele que mostrava o caminho correto (pois já tinha sido por ele trilhado), era aquele que respeitava nossas escolhas e nos incentivava a chegar até o fim do caminho escolhido para aí sim, encontrarmos as respostas nós mesmos, No fundo, nos sentíamos emancipados quanto seres pensantes para refletir sobre as reais consequências das nossas ideias e atos.

Não se iluda, caro paladino da causa contra a doutrinação juvenil. O ensino não será sempre imparcial, nem a mídia, nem o entretenimento; E é isso que constrói um forte senso crítico em nós. Ensine seu filho a refletir, questionar. Uma hora, durante seu descanso, ele pode encontrar tudo aquilo que você sempre tentou esconder dele.

Pense por si, lidere pelo exemplo, exerça e estimule a liberdade. O que nos fascina não é aquele que doutrina, é o que liberta.

“Numa sociedade, a autoridade do homem sobre o homem está em razão inversa ao de desenvolvimento intelectual ao qual esta sociedade chegou.”
(Pierre Joseph Proudhon)

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