Fui

Fui.
Na agonia de ir-me ao encontro do fracasso já esperado. Sentada, movendo-me porque o tempo se move. Se move para frente linearmente. Não volta, só vai.

E eu fui porque é preciso aceitar as derrotas mais do que as vitórias. Abraçá-las como um cachorro ferido e magro que precisa de atenção. O fracasso é a parte de nós que precisa de atenção.

A projeção de um futuro mais balanceado, mais sadío em que as coisas darão certo – “as coisas sempre darão certo” – Sim, a partir do momento em que elas pararem de dar errado.

E, sentada, raspando a mandíbula com as unhas que há tempo não vêem tesoura, eu desfaço o meu rosto, que vai caindo em pedaços acima da apostila. Caindo, caindo, caindo.

Baixo os olho e não posso mais ler nada, meu resto está na apostila e me olha. Eu olho de volta e assopro e ele vai embora. Sem rosto, eu continuo lendo, até chegar no fracasso, até o fracasso chegar em mim, até o fracasso virar êxito – um dia.

 

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