O saxofonista na janela.

Peixoto Gomide.
 
Rua
Grande colisão estrelar. O choque gostoso da piranhagem selvagem e abuso de drogas.
A droga das primeiras horas da noite é a cerveja 600ml. 5 reais no mercado do china. Logo acima num prédio, na altura do quinto andar um homem toca com certa lentidão e dificuldade a escala de dó maior no saxofone.
 
Daqui a 3 horas, exatamente as 3 da manhã a polícia chega. Mas chega pra arregaçar!
Bomba, gás de pimenta. A porra toda, música da Valeska Poposuda.
Eu morei logo ali ó.
 
Naquele prédio atrás do prédio do saxofonista.
Acho que ele ainda não morava ali. Ou não tocava saxofone, o que também faria sentido.
Eu não precisava passar por aqui pra ir pra casa. Mas sentia falta dessa zona.
Não das bombas e olhos ardendo, claro, mas dessa galera amontoada.
Eu trabalho na rua de trás. Na consolação. Tem ônibus direto pra minha casa, mas não preenchia meu final de noite aquele silêncio todo e escuridão do ponto de ônibus, em frente ao cemitério.
A loja que eu trabalhava fechou. Vendia CD’s. Não sei como suportou até 2017.
 
Sabe, ter incertezas é a certeza de estar vivo.
 
Dois meses se passaram.
.
Estava na Paulista. Resolvi passar no china pra comprar uma cerveja. Sol mexicana 600ml. 6 reais.
 
Na janela, o sax chorava.
 
A escala mais triste do mundo.
 
A escala de Dó menor rasgando o burburinho.
 
Era fluído, mas um som sujo saiu quando tocou o Si bemol.
 
A sonata patética guiava meu caminho em dó menor cheio de incertezas

 

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