Meu nome é Roberto

eus
Eu lembro da primeira vez que eu menti o meu nome.
Cara… Fingir ser outra pessoa é engraçado. Dá um nervoso no começo. Parece que tá todo mundo te olhando e tal.
“seu nome, senhor?” perguntou a menina do Burger King.
“Roberto”.
Foi aí que começou.
Todo lugar que eu ia eu era Roberto. A não ser que precisasse mostrar algum tipo de identificação.
No começo, pelo menos uma vez na semana, eu era Roberto, trabalhava com T.I., tinha 24 anos e era solteirão, vida loka.
Comecei a ir nos lugares sozinho e normalmente eu era Roberto só para quem precisava saber meu nome.
Um dia um cara e começou a trocar ideia comigo na Churrascada (um evento de churrasco aí). Ele perguntou meu nome, mas porra, não consegui mentir. Deu um nervoso foda. Falei meu nome de verdade no automático: “Filipe, beleza? Qual o seu?”…
Continuei saindo por aí, sendo Roberto em starbucks e burger kings, até quando, um dia, uma menina num bar conseguiu me fazer chegar lá.
Ela tava com uns amigos. Logo depois apareceu o namorado dela, ou pelo menos parecia ser algum tipo de relacionamento, eles se beijavam. Quando ele foi no banheiro, ela virou para mim, piscou o olho e mandou um beijo.
Ela tinha saído do banheiro um pouco antes com 5 meninas. Provavelmente estavam dando um tecão ou algo parecido. Ele voltou. A cada 5 minutos ele ia pro banheiro sozinho. Cada vez que ele ia, ela olhava para mim mandava um beijo.
Cada vez que ele ia no banheiro ela ficava mais louca. Acho que aquela coisa que ela foi procurar no banheiro finalmente a achou, cada vez fazendo mais efeito.
.
Teve uma hora que o namorado dela foi no banheiro com mais cinco caras. Certeza era a sua vez de chapar o coco.
Ela Sentou na minha mesa e falou:
“E aí, Qual o seu nome?”,
“Roberto”, respondi sem pensar duas vezes.
Olhei pra cara dela, os olhos loucos e perguntei: “Seu?”,
“Eu sou o demônio.”, ela disse séria.
“Hum… Prazer, primeira vez que eu falo um alguém assim.”,
“assim como?”, perguntou fingindo estar indignada, batendo na mesa com os dedos.
“É a primeira vez que eu falo com o anjo caído”,
“Hum… O restante era o quê?”,
“Não sei, você parece diferente… Diferente perigoso”, respondi.
Ela levantou rápido e saiu. Logo depois seu namorado voltou. Eles discutiram umas,  sei lá, 7 Vezes. Terminei a quinta garrafa já com dor de cabeça. Não sou muito chegado em cerveja, mas o Roberto era.
O cara pensava demais nas coisas. Ele ficou com aquilo na cabeça por dias. Aquela coisa loira e safada não saía da cabeça dele, nem da minha.
Em poucos dias, ele assumiu o controle da minha vida.
O que era coisa de uma vez por semana, rapidamente virou 5, 6.
Isso foi logo depois de me demitir. Não convivia com mais ninguém conhecido e podia ser quem eu quisesse, mas não tinha mais controle algum sobre suas aparições.
Um dia ele voltou no bar e a garota estava lá, de novo, sóbria dessa vez e sem aquele cara.
Diferente de mim, ele é um cara atirado. Foi logo falando um monte de merda para ela. Me envergonhava ver aquela cena, ele é um cara obsceno demais, mas ela foi entrando na dele.
Ele deu uma ajeitada no cabelo dela para trás da orelha e ela passou a mão no ombro dele em câmera lenta.
Então escutei um grito: “Filho da puta!”. Ele se virou e tomou um soco na cara e eu assisti de camarote. Cinema 4D, cada soco que ele tomava, me doía a cara. Puta que pariu, como doía. Porra, o Roberto não sabia brigar, tirei ele dali e tomei seu lugar.
Cheguei logo empurrando com as duas mãos bem no meio do peito daquele arrombado, potente, Like a Bruce Fucking Lee.
Ele tentou revidar. Que vergonha. Parecia um bonequinho de videogame energizando o soco. Não existe milissegundo à toa numa briga de bar. Fiz logo o encontro do meu punho com seus dentes.
O Demônio gritava: “Para! PARA!”… Levei ele pro chão e socava e socava e socava até ouvir quebrar algum osso da mão. Comecei a dar cotovelada na cara dele. Tava tudo vermelho, cara! hahaha.
E o engraçado que ele era ruivo. No cabelo e na barba. Combinava com o sangue e com os olhos dela queimando dizendo pra parar, mas no fundo gostando.
Fui preso, Roberto fugiu, aquele filho da puta.
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