Coração de galinha.

O cara soube que ia morrer pelo médico que estava comendo sua mulher. Também soube que o médico comia sua mulher pelo vizinho que também tinha comido ela, mas disso ele não sabia.

Resolveu dar uma big festy (era esse o nome da sua festa de despedida), mas não contou a ninguém o motivo. Sua mulher estava em uma viagem “de negócios”, ela disse. Chamou todos os vizinhos, parentes, a galera do circo, a mulher que engolia espada, o homem que cospia fogo, o anão Serjão, o cara da hipnose, a Dandara da pizzaria, tia Gege, o tio Luide, a prima feia, os mototaxistas da chatuba e todos que lembrou um dia ter trocado algum sorriso na rua.

Na sala, abarrotada de gente, depois de umas 3 horas do início da festa, sua tia que há tantas não via, gritou: “Mauro, tua prima chegou”. Sempre ouvia o fusca de longe, lá do final da rua engasgando. A esse ponto da festa já atendia os convidados totalmente nu. A prima, conhecida pela sua família, pai e mãe, de “prima feia” chegou com cara de riso e cheia de lágrimas secas desabafando que o verdureiro tinha passado a mão nela e deu um tapão que desmaiou o velho. Não olhou pra trás, apenas saiu com 3 maços de rabanete debaixo do braço, entrou no fusca e foi embora.

3 da manhã Mauro vomitava pela quarta vez no quintal de casa com um cachorro no cio preso em sua perna, olhou pro relógio e pensou “eu só tenho mais um dia de vida”.
Pegou do bolso o quadradinho alucinógeno de papel e meteu na boca. Aquela bicicletinha era sua arma secreta para viajar antes de dar o peido mestre, como dizia o Antonio na padaria.  Na sala espadas eram engolidas e a prima feia conversava com o Serjão que estava em cima da mesa de vidro desafiando a mecânica newtoniana, voltou pra sala e queimou as sobrancelhas numa labareda que o homem que cuspia fogo mandou na direção da porta. Todos se calaram, mas quando Mauro riu, todos riram junto. Foi até a cozinha e vomitou na pia, ligou a torneira e transbordou vômito até começar a pingar no chão. A tia Gege desligou a torneira e falou “Mauro, você tá doidão” e ele respondeu “to vivo, tia”. Pegou o Eno que tinha no armário e tomou com coca. Na garganta deu uma reação louca e saiu gás pelo nariz e ouvido. O Eno se perdeu debaixo da geladeira e ele desistiu. Abriu a porta da geladeira, meteu dois dedos na goela e vomitou numa jarra de tanjal com vodka que a mulher que engolia espadas tinha feito. Fechou a geladeira e voltou pra sala.

Meteu a cabeça entre as pernas do Serjão e o botou no cangote. Gritou “vamo vuáááá”, saiu correndo e deu um salto na piscina. A galera se empolgou e começou a pular na água até que as sirenes gritaram na frente da casa. Pegou a espada da mulher que engolia espada, botou Serjão nas costas e pegou um abajur. Arrancou o fio e amarrou as mãos do Serjao. “Agora sim eu sou uma TARTARUGA NINJA CARALHO, AQUI É RAFAEL!”, “Leonardo”, corrigiu cabo Bruno. “O QUE?”. “Leonardo, cara. O da espada é o Leonardo”. “Ah, tá. Valeu”, disse Mauro com seu anão de casco, espada em uma mão e uma fatia de pizza de coração de galinha em outra, era o verdadeiro Leonardo. Santa tartaruga. Gritou pra tia abrir o portão da garagem com o controle remoto e ficou esperando em posição de combate. O portão abria pra cima.

Quando passou da altura da cintura os policiais perceberam que ele estava armado e nu, então sacaram suas armas. “Para aí maluco. Solta a arma e a criança”
“Jorjão, me dá minha arma secreta”, pediu. Jorjão passou pra ele uma caixa de estalinhos de São João. Ele puxou uma e jogou no chão “PAAAAH”. “Que porra é essa?”, Um dos policiais cochichou pro outro. “Não sei”, respondeu o cabo Bruno. “Chama o sargento Fahur, que eu vou chupar meu próprio pau”, exigiu Mauro. Os policiais só se olharam, sem entender do que ele falava. “Ou o Faustão. Chama o Faustão ou o Gilberto Barros”. Mauro olhou bem e um dos policiais era o nicholas cage de cabelo longo que atirou feixes coloridos na sua direção. Ele tentou desviar dos raios e perdeu o equilibrio. Caiu pra trás, jogando Jorjão bem no poço artesiano do quintal, que tentou se segurar, com as mãos atadas, no pescoço de Mauro. Então ouviu um Crek.
Mauro morreu. Nu, doidão, com o pau do tamanho de um coração de galinha e devendo 5 vômitos para o mundo.

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