Gerard e Andy

PÁ!

Ela bateu com a mão na mesa alta, olhou para os três e disse:

– Quais são os planos para essa noite?

Ela já tinha os planos dela; Ela ia trepar com o cara do meio mas não tinha decidido ainda se ele era bonito.

Depende – disse Gerard – Quais os planos de vocês?
Tim entrou em pânico. Ele tinha dito para a namorada que ia sair só com os colegas do trabalho para tomar uma cerveja e agora eles vão sair com um grupo de garotas? Jesus me tira daqui pensava Tim, e arregalava os olhos não conseguindo disfarçar a expressão de pavor.

As amigas dela queriam ir pra casa. Na verdade as amigas dela estavam saindo com uns carinhas e não queriam admitir que estavam apaixonadas, por isso saiam e passavam a noite com cara de desdenho até dar uma da manhã, quando já se é razoável voltar pra casa. Ela queria ficar e Scott sorriu com um sorriso diabólico porque ele já sabia o que ia acontecer.

Gerard, le canadien! Posso ficar aqui com vocês – ela falava rindo e ele a corrigia dizendo que era da fronteira e não falava uma palavra de francês e ela ria mexendo os cabelos e olhando com malícia para o lado; não era com Gerard que seus olhos falavam.

O papo seguiu com a sapiência que só pessoas bêbadas, mas não inconscientes alcançam. Falou-se de energias renováveis, cultura, comportamento, política, esportes. Tim foi embora correndo assim que viu uma oportunidade. Gerard tinha que pegar o trem e foi embora pouco antes das duas. Ela saiu para ir no banheiro e quando voltou Scott já tinha o seu casaco nas mãos e nenhuma palavra precisou ser dita: Ele era, de fato, muito bonito.

Ele não parava de sorrir e lhe serviu água, enquanto ela passava os olhos pela cozinha, estranhamente arrumada. Esse cara tem namorada, pensou, não é possível que esse senso estético venha de um homem hetero. Scott tinha namorada, mas ela morava em LA e ele não se importava com ela. Eles ficaram vendo a janela como quem não sabe mais o que dizer antes de aceitar que está na hora de trepar.

-Eu odeio essa estrada que passa ai em frente. Toda vez que eu tenho que passar por ela é porque eu tô voltando de viagem.

Ele riu e a beijou. Foi caminhando com ela enquanto a beijava até o seu quarto: “confia” e a deitou na cama enquanto puxava o seu vestido. Uma, duas, três vezes e a noite inteira eles passaram revezando-se, numa selvageria que as chapas de dry wall não conseguiam preservar. O vizinho acordou e bateu na parede e eles riram e se deitaram para conversar:

– Nadal ou Federer ?
– Federer. Mas de todos, Murray.
– Porque ele defende a Serena?
– Né? que homão da porra.

Ele continuou rindo e agora já estava irritando. Depois o tema foi pra Portugal, faculdade, apartamento, pão e enfim o motivo da risada. “Hoje é sexta-feira… essa semana foi longa, o trabalho foi puxado. E eu acabei de realizar que já é final de semana; e começou muito bem dessa vez”.

Ela concordou mentalmente mas não conseguia rir sozinha. Pensava no ex, que começou a namorar recentemente. Pensava que não queria estar com ele, nem tinha inveja dela e como era irritante saber que aquilo a incomodava de alguma maneira. Olhou pro lado e viu Scott ainda rindo, deslizou a mão por baixo do lençol e seguiu as celebrações de mais um início de fim de semana: bonito pra caralho, com certeza.

 

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