Eclipse (+18) – Conto

Fabricio não gostava de mulheres gordas. Inclusive dizia-se alérgico à elas. Depois de ser roubado por 5 travestis na Rua Augusta, foi para o Rio de Janeiro novamente, na casa de Juan, que estava de despedida do Brasil. Iria para Espanha fazer um Mestrado em Ciências Sociais e não pretendia voltar mais.

Beberam mais que o normal. A ponto de Fabrício passar vários perfis do tinder apenas pelas fotos. O que não fazia nunca, devido ao treinamento que teve morando na Rua Frei Caneca, onde as mulheres mais gatas, geralmente, eram Trans. Fabricio não gostava de gordas. Fabricio não gostava de trans; Sexualmente falando.

Ficou dois dias num motocontínuo de cerveja, swipes e videogames. Acordou na sexta-feira, 8 de setembro, no meio do feriado prolongado e tinha mais de 10 matches. Filtrou um pouco as que com quem não tinha muito assunto ou que o IMC parecesse maior que sua nota de corte. Uma menina, Maria, parecia muito legal e tal. Tinha fotos boas também, mas só mostrava da cintura pra cima. Fabricio perguntou a opinião de Juan, que disse “Gata cara!”. Fabricio não confiava muito no gosto de Juan. Juan gostava de gordas. “Você não é confiável”, retrucou.

Marcaram. De noite Maria iria no apartamento. Juan tinha arranjado um encontro no tinder e não estaria em casa e falou que poderia usar a suíte se precisasse.

O interfone tocou às 19h. Fabricio mandou subir. Quando o elevador chegou, percebeu pelo barulho da porta abrindo e foi ver no olho mágico, enquanto emanava um “por favor não seja gorda, por favor não seja gorda”. Ela foi vindo, vindo e, na metade do corredor, ela já tinha tomado conta de todo o olho-mágico, como um eclipse solar. Ficou tudo preto e, assustado, Fabricio saiu e ficou, como em desenhos animados, andando de um lado para o outro sem parar, até que a campainha tocou. E lá estava ela, a Lua mexendo em seu celular, sem dar muita atenção para ele. Ele disse para ela entrar. Ficou no celular mais uns 20 minutos, sempre falando: “Desculpa. Tenho que resolver um negocio com meu pai aqui, rapidinho”. Quando acabou, perguntou “tem algo pra comer?”. Fabricio já tinha algo meio preparado e começou a cozinhar. Durante todo o tempo, ele ficou no fogão isolado enquanto ela mexia no celular.

Acabou de cozinhar e deu um prato para ela de um mix de tudo que tinha em casa. Quando acabou de comer, Maria começou a ficar mais sociável. “Você que decorou sua casa?”, perguntou. Ela tinha visto fotos de sua casa no perfil do tinder e perguntou se ele tinha escolhido o papel de parede e coisas do tipo. Disse que sim, mas que tinha se arrependido, pois tinha escolhido o mesmo papel de parede que o Felipe Neto usava em alguns videos do Parafernalha.

“Amo Felipe Neto”, ela disse.

“Puta que pariu”, pensou. Esse foi o sinal e ele não deu atenção. Deveria ter acabado ali o encontro. Não tinha como passar o tempo que fosse com uma fã do Felipe Neto, mas Fabricio tinha sua própria fome. Seu último encontro, com Flávia, tinha sido super esquisito. Os dois ficaram com uma rinite descontrolada e, ninguém conseguia fazer nada além de tentar dormir, sem sucesso algum.

Fabricio abriu uma latinha e ofereceu a ela, que pegou. Na lixeira, acumulavam 42 latinhas, que tinha bebido mais cedo com Juan, das quais, 35 eram suas. Mesmo assim era difícil para ele.

Mesmo ela falando bem de Felipe Neto, ele tentou se aproximar, deslizando a mão em suas costas. Ela devia ter uns 70 kg, talvez uns 1,70m. Bem acima do padrão magras/magrelas/magriças que Fabricio tanto sentia tesão.

Trocaram beijos no sofá da sala e, mesmo com conflitos internos, chamou Maria, levantando: “Vamos pro quarto”. Sentaram na cama e Fabricio começou a desabotoar sua blusa. 12 botões. Não tinha pressa alguma, mas era uma evolução para Fabricio, gordofóbico do jeito que era, pensava que seria um exercício importante para melhorar essa questão em sua vida.

“Tá dificil aí?”, perguntou rindo. “Mais do que imagina”, respondeu Fabricio.

Botou o pau pra fora, mole ainda, e ela caiu de boca. Demorou alguns minutos para ele subir. Fechou os olhos e imaginou que era sua estagiária dos tempos da academia de boxe. Depois de uns minutos começou a funcionar. Ela começou a apertar suas bolas de maneira muito agressiva. Fabricio ficava tentando escapar até que ela percebeu que ele não curtia muito brincar de bate bag, então começou a massagear seu períneo. Ele já sabia do que se tratava. Ela avançava como se tivesse lidando com algum tipo de amador anal, mas ele não disse nada. Demorou um pouco para ela chegar no cu dele e, mais ainda, para enfiar o dedo lá dentro. A cada avanço ela olhava, como se estivesse pedindo permissão. Fabricio tava de boa. Fechava os olhos e imaginava Laura. Maria se deitou e segurou seu pau com a mão perto da boca e Fabricio metia como se transasse com sua boca. Ela gostava. Fabricio metia, metia e imaginava Laura de quatro dando pra ele e gemendo. Ele conseguia até abstrair os gemidos de boca cheia dela e imaginar Laura totalmente entregue a ele naquele momento. Gozou na boca dela toda. Parecia que era seu plano, se despencando de campo grande, de trem até a tijuca só para comer e tomar leite. Começou a se arrumar e disse que tinha que ir embora resolver as coisas com seu pai. Fabricio não entrou em detalhes. Só queria que ela fosse embora mesmo. Ele era tão preconceituoso que já sentia uma coceira louca no pau.

Abriu a água quente do chuveiro o mais quente que podia e entrou.

“nunca mais vou usar no tinder”, pensou, com a cabecinha encostada no blindex enquanto a água quente descamava lentamente a pele de sua cobra.

 

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