Pimenta no Risoto (+18)

Tinha ficado com a Flavia em minha cabeça. Depois que saí com Laura, lembrava-me sempre daquelas sobrancelhas. Flavia tinha uns 50kg, quase os 53 de Laura, mas era bem mais baixa. De beijo bom, lembro bem de me inclinar para beija-la no portão do seu prédio há 6 meses atrás. Depois disso, saímos mais uma vez, na minha casa e nunca mais apareceu. No dia seguinte, como disse, meu cartão nunca usado tinha sido clonado. Não transamos esse dia. Ela disse que tinha que ir para casa enquanto eu avançava pra cima dela na cama. Lembro muito pouco dessa noite, na verdade, não lembrava nada no dia seguinte. As imagens daquela noite foram aparecendo com o passar dos dias. Era como se eu estivesse totalmente drogado, mesmo não lembrando de ter tomado nada além de vinho. Gostei dessa ideia de que ela pudesse ser uma estelionatária. Alguém do mesmo seguimento — ou pelo menos a mesma índole — profissional que eu. Comentei com Mariana, amiga que nos apresentou, a história do cartão. Disse que ela riu muito da história quando contou pra Flávia, mas em nenhum momento disse que não o fez.

Pelo instagram, acompanhava seu novo trabalho. Começou a se envolver com arte, ilustração, pintura e sempre postava seus trabalhos. Eram magníficos. Coisa rara era ela postar uma foto do seu rosto. Uma mulher bonita.

Mandei um DM(Direct Message) respondendo à postagem da foto do seu rosto:

— Oww, so cute

— hahaha. Engana. — respondeu.

Há muito tempo que não respondia nada, fiquei no vácuo algumas vezes. Principalmente no Whatsapp. Tinha até desistido de me comunicar com ela por lá, mas, logo depois, conheci Lorena e não me atirei em nenhuma mulher nos últimos 5 meses.

— Ahh não… Já vi ao vivo. É bom mesmo. — respondi.

— Não… Digo. Engana as pessoas. — e completou na mensagem seguinte: — Na hora de roubar o cartão delas.

— Hahahaha

— Mari me mandou um print da conversa. Ri muito.

A conversa seguiu por um tempo. Foi sarcástica, a ponto de não deixar claro se tinha ou não clonado o cartão.

— Olha. Risquei o código de segurança do meu cartão novo. Não sei se é atrativo pra você, mas a gente podia dar uma volta por aí qualquer dia.

— Precavido. Ótimo! Pra onde vamos?

— Deixa eu cozinhar pra nós, viado. Ninguém de boa índole rejeitaria um risoto de shitake.

— HAHAHHA. Quem sou eu pra rejeitar um risoto de shitake, viada.

— Quando pode? Tô desempregado. Agenda flex.

 — Olha só… A minha tá flex também. Sou autônoma agora.

— Tô acompanhando pelas fotos. Belas fotos, aliás.

— Valeu ♥♥♥

— Você faz qualquer coisa ficar bonita. Até um brócolis num prato amarelo.

— Isso ficaria lindo!

— Comprarei brócolis então.

— O segredo é uma boa maquiagem.

— Glitter pode?

— Um bom delineador.

—  Tá livre amanhã?

— Tô 🙂

— 20h?

— Fechou!  Levo o que?

— Sombra e base.

— Hahaha. Beleza.

No dia seguinte comecei o pré-preparo no começo da tarde, depois de ir ao mercado. Deixei tudo cortado e organizado e bebi a metade do vinho branco que tinha usado no risoto. Depois bebi o restante das cervejas que tinham na geladeira. Umas 6. Depois que acabaram, fui para o mercado de novo e comprei mais 16 latinhas magras e um prato amarelo que achei perto do setor de bebidas. Aproveitei e peguei um brócolis ninja bonito. Fiquei bebendo até ela chegar. Por volta das 20h30, meu interfone tocou anunciando a Flavia.

Abri a porta antes de ela apertar a campainha. Dava pra ouvir a luz do corredor acendendo quando alguém estava há uns 4 metros da minha porta.

— Nossa… Você tava me olhando no olho-mágico?

— Não. Senti sua presença

— Hahaha.

Ela tinha um vinho na mão. Um D.O (denominação de origem) do Valle Central. Um pinot noir safrado de 2016. Olhei com bons olhos, acenando com a cabeça.

— Humm!

— Olha. Foi presente, mas me disseram que é muito bom.

— Acredito no ser que te disse isso.

Abri a garrafa e servi. Deixei a minha taça do vinho que tinha aberto mais tarde de lado. Estava alternando com as cervejas até ela chegar, com um pouco de receio de ficar bêbado demais para cozinhar.

— Vou fazer o risoto. Começarei pelo meu favorito.

— Como assim? Vai ter mais de um?

— Estilo degustação.

— Hahaha… Deveria deixar o melhor para o final.

— Melhor no começo. Como é meu favorito, já fiz muito mais vezes do que os outros.

Refoguei o shitake fatiado, pus o arroz pré cozido e mexi enquanto conversávamos sobre o que tínhamos feito nesse tempo.

— Então você se demitiu. Não está mais dando aula?

— Na verdade, parei de dar aulas há 2 meses e trabalhei de cozinheiro até semana passada.

— Mentira. Como assim?

— Assim. Procurei emprego e fui cozinhar. Meio do nada mesmo.

— Que louco.

— E você?

— Olha. Eu avisei que sairia naquela época que saímos, mas enrolei bastante. Saí faz algumas semanas.

— Demorou hein.

Acertei o sal, pus pimenta e provei. Estava no ponto. Desliguei o fogo e finalizei o risoto com manteiga, salsinha, manteiga trufada e grana padano.

— Qual prato? — perguntei, apontando para os 4 pratos de risoto que tinha.

— O verde claro.

Empratei e dei para ela provar. Estava confiante ou bêbado a ponto de dar para ela provar sem saber como estava.

Botou meia garfada na boca. Seus ombros se levantaram enquanto os olhos fechavam soltando o universal “humm”.

— O que tem aqui?

— Shitake, queijo, manteiga.

— Não… Mas esse gosto. Tem algo aqui muito bom.

— Hum… A trufa, da manteiga trufada.

— Demais.

— Vamos pro próximo?

Servi mais uma taça do vinho. Era tinto, bom. Era leve. Resolvi fazer um risoto diferente, que nunca tinha feito. No lugar do queijo grana, cortei cubos pequenos de queijo coalho e preparei carne seca pela manhã. Refoguei a carne com manteiga de garrafa e continuei o preparo.

— Esse é uma incógnita, mas acredito em 2 finais possíveis.

— Hahaha, quais?

— Ou vai ficar muito bom ou muito ruim.

Finalizei com o queijo e muita salsinha desidratada. Decorei com uma salsa crespa no prato branco.

— Hum… Delícia. — Disse, sem nem ter engolido tudo.

Fiz bem pouco de cada. Umas 3 garfadas pra cada um. Comecei a observar os pratos.

— Agora o bonitão. Um risoto bem verde. Vamos usar o prato amarelo?

Peguei o brócolis inteiro e botei no prato.

— Perfeito. Você tava certa. Ficou lindo.

— Nem precisou de retoques haha.

— Hahah… Dá ate pena de cortar, mas vamos lá.

— Boa essa música.

Mal dava pra ouvir o trompete suave de Blue in Green do Miles Davis que tinha botado bem baixinho pra tocar na sala.

— Blue in green — Ela disse.

— Nenhuma tristeza nesse verde que faremos agora. — disse, enquanto botava um punhado generoso de salsinha no arroz, logo no começo do preparo.

Mexendo e mexendo. O verde foi tomando conta do caldo que ia aos poucos reduzindo. Adicionei os brócolis, cortado delicadamente em pequenas ‘arvorezinhas’ e mexia com cuidado para não quebra-las. Finalizei e servi. Estava bom, mas nada perto da versão nordestina, com coalho e carne seca.

— Tem espaço pra mais um?

— Hahaha.. Tô cheia, mas sim.

— O último. O risotto alla milanese.

— hum…

— Sabe a historia dele?

— Não…

— Reza a lenda que a filha de um senhor bonitão, alguém importante que não lembro o nome, ia se casar e, então resolveu fazer um jantar para comemorar. Enciumado da filha estar se casando, sem querer deixou cair na panela uma grande quantidade de açafrão. Depois de servir para os convidados, recebeu vários elogios pelo prato.

— Hahah… São sempre assim as histórias de comida, né?

— Sempre.

— Tem uma, um prato americano. Nashville’s hot chicken que é parecido com isso.

— Como é esse prato? Nunca ouvi falar.

— É um frango frito com uma tonelada de pimenta caiena.

— Hum… Gosto de pimenta.

— É… mas esse é um pouco agressivo.

— Como é a origem dele, afinal?

— Foi meio que um castigo para um marido mulherengo da década de 30, se não me engano. No dia seguinte, sua mulher botou um tempero extra no seu frango frito. O problema é que deu certo. Ele curtiu sua punição e virou um prato famoso. Dizem que ficou tão famoso o prato que no auge da segregação, o prato, feito em restaurantes de negros recebia negros pela porta da frente e brancos pela porta dos fundos. Uma coisa meio House of cards, sabe?

— Que demais!

— Pimenta me lembra outra história. Da Mari. Bem nojenta

— Conta!

— Então. Quando estávamos morando juntas, uma época, dividimos o quarto com uma menina mexicana, que estava na cidade por uns dias.

— Certo.

— E ela era totalmente maluca por pimenta. Todo dia ela pegava picles, passava na pimenta e ficava uns bons 30 minutos chupando aquilo.

— Chupando?

— É… Não mordia. Só chupava o picles.

— Um dia a Mari chegou em casa esfomeada e pegou um Hot cheetos que estava aberto em cima da mesa. Quando a Sol chegou, a menina mexicana, a Mari disse: “Comi teu cheetos”. Ela fez uma cara de nojo, um pouco contida. “O que?”, a Mari perguntou.

— Naaaaooo…!

— Sim… Ela comeu o cheetos que a menina chupou.

— Hahahah… Que nojo.

Finalizei o último e botei um pouco de presunto cru que tinha na geladeira. Estava bom, mas na primeira mordida, me aproximei dela. Alisei seu braço e suas costas. Quando acabou de mastigar, dei-lhe um beijo no canto da boca. E fui levando-a para meu quarto enquanto a olhava nos olhos. Estava toda vermelha, do vinho. Nos beijamos sem parar, até chegar no pé da cama. Deitei-a suavemente e comecei a abrir um vestido Jeans de botão com certa dificuldade.

— Questão de honra… não é uma dúzia de cervejas e uns vinhos que me deixarão incapaz de desabotoar isso aqui.

— Hahah. Tudo bem.

Olhei em volta para ver onde estavam as camisinhas. Tinha arrumado a casa mais cedo e elas tinham ficado espalhadas pelo quarto. Quando achei umas duas, comecei a chupar seus seios. Ela tinha tirado o sutiã. Se fosse deixar a função para mim, perderíamos alguns minutos. Subia lentamente ate seu pescoço e voltava. Comecei a descer, lambendo seu abdome até chegar na calcinha preta que vestia. Abriu as pernas e elevou a pelve, como quem pedisse para tirar sua calcinha. Tirei e deixei do lado dela. Fui mordendo sua coxa lentamente, caminhando até sua buceta. Fiquei lá por muito tempo. Conseguia sentir o álcool queimando meus olhos toda vez que eu soltava o ar pela boca quando esquecia de respirar por muito tempo. Ela gemia de uma forma tímida. Fiquei bastante tempo, talvez uns 20 minutos ali, mas minha noção de tempo estava totalmente distorcida. Levantei e alcancei a camisinha que estava na mesa, perto da cama. Abri e olhei bem para ver o lado certo. Errei de novo. Definitivamente estava péssimo em colocar camisinhas ultimamente. Virei-a e botei de novo. Estava com certo medo de broxar, por causa do álcool. Ele entrou meio tímido. Ela era apertada e gemeu forte na primeira entrada. Ainda não estava completamente duro. Peguei sua mão e a pus no seu clitóris para se masturbar enquanto eu metia. Me ajoelhei e fui penetrando devagar, até ele ficar totalmente duro. Me orgulhei do controle que tive nesse momento e fui pra cima dela. Comecei a beija-la. Seu beijo era o melhor beijo que já tinha dado. Sentia um tesão enquanto metia e a beijava. Passei o braço por baixo de suas costas e apertava sua bunda enquanto metia.  Alcancei seu cu minutos depois. Dava pequenas metidas com o dedo, mas sentia certa resistência. Ainda não estava a vontade. Voltei a mão para sua nuca e a beija-la incessantemente. Virou de costas e tivemos alguma dificuldade em achar a melhor altura para fuder de quatro. Tentei botar seus pes por fora dos meu joelhos, mas ficou baixa demais. Então passou seus pés entre meus joelhos e achamos a angulação perfeita. Metia devagar e ia aumentando, mas me cansava rápido. Sentia o álcool no ar. Cansamos antes de gozar e nos deitamos, rindo da situação. Falamos um pouco sobre o risoto. Minha vontade era de ir lá comer o resto que ficou no último prato. Ela tremia um pouco. Peguei um cobertor. Ficamos abraçados. Era bom estar ali com ela dando pequenos beijos de 10 em 10 segundos e nos olhando. Alisava sua coxa enquanto a olhava. Logo estava avançando para sua virilha, mas voltava e ia até sua bunda. Dei um leve toque no seu cu e disse que estava muito tensa. “Analmente tensa”, disse rindo. Ela me contou que nunca tinha dado o cu. Perguntou se eu já tinha dado.

— Ainda não —,repondi.

— “ainda não”? haha… gostei da resposta. Já ficou com homens?

— Não… nunca consegui gostar de homem. Mas…

— Mas…?

— Daria o cu. Você tem um Cintaralho?

— Hahahah… não, mas se você arranjar um eu topo.

Miles Davis ainda brilhava no fundo. Ela tinha me dito que gostava dele na última vez que saímos, acho que ela nem se lembrava que tinha me dito isso. Deve ter achado uma coincidência fantástica, pois sempre parava, se calava pra sentir a música entrar. Com o dedo, comecei a brincar com seu clitóris.

— Como você se masturba? —, perguntei.

— Com o dedo. —, riu.

— Mas onde?

— Prefiro não dar nomes. Vou mexendo onde me dá prazer.

Comecei a fazer pequenos círculos em seu clitóris e metia metade do dedo médio enquanto fazia isso e fui mudando o sentido, a direção e os estímulos. Percebi que ela gostava quando eu mexia no seu clitóris lateralmente e de vez em quando metia o dedo todo, até o fundo, encontrando o teto rugoso da sua buceta.

— Tem outra camisinha? —, perguntou.

— Claro.

Achei uma no chão, debaixo da mesa em que guardava de forma desordenada meus livros. Lembrei que tinha uma camisinha como marcador de página do Anna Karienina de Tolstoi caso precisasse de outra.

Dessa vez, mais sóbrios, conseguimos nos conectar mais. Achava ela uma menina delicada. Tinha certo medo de usar mais agressividade nas metidas. Mas quando enfiei ate o fundo com certa potencia, ela gemeu “gostoso… que fundo”. Então mudei um pouco a cadência e fui metendo mais profundamente com certa força para entrar, mas saindo lentamente. Segurei seus punhos e os arrastei até acima de sua cabeça. Segurei forte. Parecia sentir tesão naquilo. Não me sentia a vontade de usar muita força na primeira vez. Talvez fosse demais para algumas pessoas fazer o que fazia com Lorena. Ela gostava quando eu metia nela de costas enquanto a enforcava de leve com uma chave de braço. Estranhamente sentia um tesão absurdo fazendo isso. Nunca gostei de agressividade no sexo, mas a forma que ela gemia e de como gostava daquilo tudo, me deixavam com muito tesão, mas com Flavia não tinha conhecimento sobre seus gostos. Apertei forte seus punhos e metia forte. Ela ia no contramovimento, arrastando seu clitóris na minha púbis enquanto eu metia, ela descia. Eu saía e ela subia. Encontramos um ritmo de prazer mutuo. Gozei tão forte que me joguei em cima dela, tendo espasmos. Mas não sabia dizer se tinha gozado ou não. Então fui chupá-la novamente. Ela se debatia de forma tímida. Não sabia se tinha gozado ou não. Então ela levantou a cabeça e disse “time out”. Eu ri, e fui subindo beijando seu corpo, até sua boca. Nos beijamos e então deitei do seu lado.

Ela me beijava, me olhava e fazia um carinho bruto na minha barba. Disse que tinha que ir embora lá pela 1h da madrugada.

— Te dou 9,5. Faltou dormir aqui comigo. Tá tão bom ficar com você.

— Hum… Queria, mas amanhã tenho que tomar café da manhã com minha mãe. Tudo bem?

— Você é livre. Pode ir, mas é livre também para ficar e é muito bem vinda para dormir nessa cama comigo.

— Bom saber.

Levantou e começou a procurar suas coisas.

— Começando a gincana de achar as coisas da Flavia — ela disse.

Percebi que ela já tinha achado tudo, mas continuava procurando.

— O que falta?

— Meu vestido. Jeans, sabe? Aquele com quem você brigou.

— Não tirei seu vestido.

Ela não acreditou em mim e continuou procurando.

— Flavia… Você está com ele.

Olhou e viu que estava mesmo com ele.

— Ué… não tirei? Que preguiçosa.

Devia ser seu jeito de ser, meio desligada, pois o álcool já tinha ficado no ar fazia tempo. Liguei a luz para que ela abotoasse aquele complexo vestido jeans. Pediu um uber e foi pra casa.

No dia seguinte, acordei às 14h. Olhei meu celular. Nenhuma mensagem sobre meu cartão de crédito e lembrava de tudo que tinha acontecido na noite anterior. Mandei uma mensagem pra ela: “Foi ótimo ontem. Vamos repetir”, depois fui para o mercado comprar pimenta  e frango para fazer Nashville’s hot chicken.

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