Desfeita – Poema

Da cabra moura de quem eu havia lhe falado
diz-se que dela não sobrou pedaço
foi deixando cada tiquinho por onde passava
largava um pouco onde andava um passo

numa loja de flores dos subúrbios de Paris
ficaram os olhos cor de cachaça
do alambique de Moinhos
embriagando-se entre os gerânios

Em San Pedro da Costa do Marfim
Deixou não por um mas por todos os Pedros
O coração partido a cada partida
ao pé de cada proa de cada porto
de cada fim

Deixou as pontas dos dedos ao nordeste da China
colhendo um plantio de chá verde
amargando a lingua
esquentando a alma

Chegou em Punta Arenas apenas cabelos
que voaram com o vento
se prenderam nas antenas
e transmitiu-se
a pele morena e o sorriso branco
olhar embriagante
e coração franco

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