Na cozinha – Crônica

Bem, então a rotina seria de muito trabalho, com folga as quartas-feiras e mais uma folga por mês no sábado, que seria para ir na aula presencial da faculdade a distância. No total 7:30 por dia de trabalho mais 1h de almoço. O almoço eu pegava bem rápido e comia em menos de 5 minutos. Comia pouco. Apenas o suficiente para aguentar o dia e não ficar com sono na hora de escrever. Ia para um lugar silencioso, mas que não fosse muito longe para não desperdiçar tempo. Escrevia até os 55min da hora do almoço, ia ao banheiro e voltava pra completar o resto das horas. Deveria focar na produção, horários, higiene, evitar erros e ter uma boa relação com a equipe. Isso tudo contava pontos e aumentava a remuneração no final do mês.

Nas quartas de folga já planejava trabalhar para fazer um extra, mas queria esperar uma semana para sentir o volume de trabalho na carcaça. Saia tão acelerado na minha hora de almoço, pois era logo após o pico de pedidos da hora do almoço, que escrevia cerca de 500 palavras a cada 10 minutos. Parece que tinha achado uma forma eficiente de escrever. De noite tomava minhas 2 cervejas e continuava a produção já num nível mais lento.

Depois do turno de terça-feira, que saía as 18h30, fui para casa, mas passei no mercado antes. Achei o vinho que tomava no meu bar favorito, o vinho chamava LOS GATOS. 21 reais. Eu precisava de meia garrafa pra escrever bem, o que daria 10,50, contra os 6 reais das 2 cervejas, mas o nível de produção com vinho era muito melhor. Na verdade a cerveja nunca me agradou muito, só chopp bem gelado, mas cerveja era o mais barato que podia achar. Uma amstel lata magrinha tava por volta dos 2,50. Tomava 2 ou 3, mas meu estomago não gostava muito.

Escrevi umas 500 palavras e parei pra passar vinagre no pé. O cheiro de suor de ficar o dia inteiro em pé mais o tempo andando na ida e na volta eram quase 11 horas com o tênis no pé suando e suando. O calor da cozinha era de matar, a sorte que ainda é inverno e no máximo tem batido uns 22 graus já no meio do dia.

Mandei uma mensagem pra Lorena perguntando se ela queria morar comigo. Ela disse que não dava, as coisas estavam complicadas em casa. Acho que afinal me livrei dos meus demônios. Mesmo ela não aceitando, o fato de chama-la foi um avanço.

Depois disso brigamos. Eu, como sempre, falava de mais de 10 assuntos ao mesmo tempo. Eles se misturaram entre eles e com meu sono e deu uma grande merda, mas acho que no final ela entendeu o que eu quis dizer. Não sei se gostou ou se odiou menos, mas as coisas pareceram melhores. Sinto saudades dela, mesmo tendo a visto no domingo.

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