Hediondo (2010) – Poema

 

Em seu corpo entra com violência,
amor e paixão. Faz a coitada gritar
de dor, desespero até a rouquidão.
É puta que não ganha um centavo,
não ganha beijo, abraço ou adeus

É hediondo e lhe dá extremo prazer.
Na verdade é a única coisa que o faz gozar.
A infeliz desconhecida apanhada no escuro
da rua ganha uma marca eterna.
Não é visível como uma tatuagem,
mas muito mais intensa.
Emprenhada em todas as células do seu corpo
da escuridão até dia de sua morte.
Morte do corpo, pois a alma da sorteada
desta noite acaba de conhecer o falecimento.

Por fim, sai tranquilo e realizado,
enquanto o gado, agora marcado e eretofóbico,
se arrasta pelo chão contido, rouco e nu.
Perdeu o brilho dos olhos, perdeu a alma.
É agora um animal que vive no medo
à espera do abate.

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