O ônibus e o pavão

Eu não consigo sonhar.
Mal consigo olhar para os folhetos
De agências de viagens mostrando Paris
Em 12 vezes
Não serei o melhor em nada
Não serei referência de nada
Não serei nada além do meu alcance.
E talvez só alcance o que ache possível,
Real.

Sem fantasias
Sem grandes saltos
Sem grandes tropeços
Sem longas partidas
Sem longas despedidas
Sem muito tempo
olhando para a janela
Do ônibus.

Do ônibus
Pela janela
Vejo um pavão andando
Na rua
Será um sonho?

No ônibus
Eu durmo
Na ida e na volta
E não sonho.

O pavão que atravessava a rua parou
E me encarou
Com cem olhos
Sem julgar
Apenas me olhou
Com todos os olhos,
Menos os reais

De ônibus
Ligo o real
Ao possível

Do ônibus
Desço quando for
Conveniente.

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