Duas Idades (ANITA) – Poema

Hoje me pego em duas idades.
Me sinto quente, cheia de energia, prazer e vontade.
Novinha inconsequente, apaixonada.
Não só por você.
Apaixonada por tudo que me faz bem, inclusive por mim.
Que se faz de boba, que se sente boba.
Com vontade de aproveitar do corpo que ainda tem,
que é macio, feminino, ardente.
Aproveitar a boca vermelha, viril.
O batimento jovem e a mente depravante.
Corpo, logo ele que nunca dei tanto valor assim,
que nunca escutei tanto assim.
Corpo que um dia vai embora,
acaba e se transforma.

Por outro lado, me sinto a novinha mais velha que existe.
Responsabilidade, dever, maturidade, trabalho.
Trabalho esse que é sem fim, sacrificante
e igualmente recompensador.
Com uma vida que já não é mais só minha.

Fazer o quê?
Você me disse ontem: “fazer o quê?”
Eu também digo: “fazer o quê?”
Consumir, me entregar até o fim.
Ou aceitar as circunstâncias, a distância, esquecer.

Sinceramente já fiz muitas coisas pra resolver essa questão,
já me agarrei em tudo que podia, dei desculpas,
arrumei argumentos, pus culpa, tirei culpa
e por mais que eu faça, eu ainda sinto.
Ainda não consegui resolver.
Ah, mas quer saber? Eu não preciso.
Deixa pra amanhã.
Amanhã eu resolvo.
Vai que eu te encontro!

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