POR QUE ELAS VOLTAM? – Poema

Por que elas voltam?

O lençol é quase sempre muito maior

que a cama

ou muito menor. Nunca justo.

 

Deitam com seus cus

Para o alto

e ficam aqui por mais de 12 horas

quando gosto delas.

 

Quando realmente gosto delas,

até cozinho,

mas normalmente não

gosto tanto assim.

 

A fronha do travesseiro

tem manchas de gozo,

a privada quase cria limo

e a tampa está sempre levantada.

 

Tem um par de tênis

pendurado no teto.

As garrafas vazias de vinho se acumulam

na cozinha.

Tem sacos de lixo no corredor

e na área de serviço.

Tem louça acumulada,

roupas no chão,

migalhas de pão

na mesa da sala.

 

Não tem nada no quarto

além de mim

e uns textos incompletos

que voam quando ligo o ventilador

do quarto mais quente

que elas já entraram.

 

“que preguiçoso da porra!”, devem pensar.

Não ligo para o que pensam

sobre isso.

 

Andando descalço pela casa,

logo ficam pretas as solas dos pés.

varro a poeira pra debaixo da cama

ou do sofá

sempre aos domingos.

O sofá sempre está numa inclinação

“pra transar”.

A cama,

amarelada de suor,

está virada para a porta do banheiro

onde as vejo sentadas na privada

pela fresta da porta sanfonada

tão difícil de fechar.

 

Camisinhas por todo lado,

usadas ou não,

xícaras de café na pia

do banheiro,

toalhas molhadas pelo chão;

 

Caralho,

por que elas voltam?

será que ninguém consegue

ser verdadeiro com elas

como eu sou com o papel,

ou com a minha casa,

ou comigo mesmo?

 

porque

elas voltam…

 

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