UMA TAL – Poema

 

Não é porque vimos a mesma estrela cair

Que faremos o mesmo desejo

Ou porque vimos a mesma pessoa passar

Que nos sentiremos da mesma forma

 

E que venha aqui e não fale

De ex-namorados ou namorados

Filhos ou afilhados

Estudo, trabalho.

Apenas deite

A única conexão que desejo é com a carne

Eu gosto de estar apaixonado

E sou preguiçoso demais para ser solteiro

Mas não me entregarei a qualquer travesseiro

Não dormirei no teu peito

Farei com que fique deitada o menor tempo possível

Só quero uma relação animal

Bem oca

Louca

E marginal

 

Porque quando deito, penso numa tal, que

A cada dois meses volta a namorar aquele cara

E então termina e bebe e me liga

E eu vou, pra qualquer lugar que seja, encontrá-la

A cada dois meses eu me machuco

E depois tenho esperanças e me iludo

A cada três meses ela para de beber

E some e dorme e cuida dos bebês

E me liga num dia qualquer:

“quer fazer nada aqui em casa?”

E eu vou e brinco com seus filhos e quase me apaixono por tudo aquilo

 

E já se passaram quase dois meses desde a última re-volta

E ela bebe e volta

E eu me machuco

E me iludo, achando que superei

Até que me ligue no próximo mês.

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