1 e 1/2 – Conto

Morri tantas vezes nessa vida que perdi o medo de andar sozinho nas ruas de São Paulo à noite. Beirando a marginal e atravessando passarelas fétidas dos rio Tietê. Nem travava mais o cu quando alguém passava por mim com a expressão mal encarada sobre a penumbra que fazia o capuz.
Da passarela  uma tela pintada com um grande feixe preto com linhas brancas e vermelhas ao lado. Eu não tinha medo, mas não era sem-noção o suficiente para pegar o celular do bolso e tirar uma foto. Apenas observava por alguns segundos aquele cenário e seguia.

Normalmente parava em algum bar. Sempre fui um cara de um porção e meia. Uma porção não me bastava e duas eram demais. Eu sempre exagerava.
Com vinho não era diferente, sendo que minha porção era uma garrafa. Eu sempre acabava com 2 rolhas no bolso e sem noção dos meus atos. Acordava frequentemente, no susto, às 4 da manhã em quartos desconhecidos, isso quando tinha sorte. Às vezes, acordava em meu quarto com uma desconhecida, ou pior, com uma conhecida.

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