Viagem pro RIO

IDA

Só mais uma viagem sp-rj (to chegando rio. Talvez atrase um pouco)

Incrível como tem gente esquisita em rodoviaria nas sextas feiras. Paguei no ônibus o mesmo que costumo pagar em passages de avião – antecipadas , claro. Começo a me areepender por nao te-las comprado.
Fiz uma horinha na rodoviária e entrei no ônibus rumo ao rio.
3 crianças catarrentas tossiam e choravam nas primeiras horas de viagem
O velho que tava na minja frente fedia a derby.
3 poltronas pra tras um porco roncava ferozmente.
Chegando na altura de Taubaté –  silêncio -, finalmente podia tentar dormir. Essa cidade, triângulo das bermudas brasileiro. Terra de mazzaropi e Monteiro lobato. Era a hora perfeita pra dormir. Deitei a poltrona, no maximo uns 10 graus de inclinação… era o que a passagem de 99 reais permitia e pus-me a dormir.
Acordei com um chute na canela “ei cara. Acorda!” Era a polícia rodoviária. “Aquela mala verde la embaixo é sua?”, “é sim por que?”. ” ce vai ter que descer com a gente”
Desci do ônibus, ele pediu pra eu abrir minha mala. “Estamos com uma denúncia de tráfico”. “De drogas?”, perguntei. “Não… produtos paraguaios”
Abri. Tinha cerca de 15 consolos. Vibradores daqueles realistas, de várias cores e formatos. “Tem nota fiscal?”
. “Porra cara, claro que não”. “Leva tudo” falou com o parceiro. “tá em cana”.
“Peraí peraí” – pedi. “Não  sou nenhum advogado, mas tenho certeza que até 25cm nao é tráfico”. Um olhou pro outro. Fizeram uma cara de duvida “é?” “acho que sim, chefe”, cochichou um deles. E completei “É tudo pra  consumo próprio. Nao é tráfico. tenho certeza. Confia em mim”, “quer saber. Mete o pé. Mas anda com a porra da nota fiscal” e me liberaram. No ônibus todos focaram me olhando quando entrei. “Relaxa galera. As armas que to levando são de calibre curto. Tenho porte pra todas, inclusive a que to carregando comigo” todos desviaram o  olhar e fingiram dormir. Sentei, deitei e não ouvi som de nenhuma criança catarrenta ou suínos no resto da viagem.

VOLTA

Voltando pra SP (Oscar Alho)

O trem do rio mudou. Os carros coreanos de ar condicionado estão mais numerosos. Peguei o ramal santa cruz até campo grande pra ir pra rodoviária rumo a São Paulo.
O cheiro do trem continuava o mesmo. Um mix de cerveja derramara com erbcen ( nome que só conheci morando em São Paulo. Nada mais é do que aquele aroma gostoso de camarão que de camarão  nada tem. Digamos que é um aroma de “aroma de camarão” do biscoito torcida). O último aroma distindo depende  muito do tipo de dia. Como é domingão. O cheio de sebo era mais ameno, mas estava ali presente. O que não mudou também foram as paradas de 20 minutos sem nenhuma explicação. Isso fode qualquer planejamento de horário. Mas eu tinha 1 hora  pra passar por mais 4 estações quando ele cochilou em bangu. Quando algo inedito aconteceu. Um rapaz vendendo um amassador de alho “direto do programa da ana maria braga”. E não parou por aí. Sacou 2 dentes de alho e demonstrou o produto. Rodou, e jogou o amassador no chão “ele é super resistente e não abre quando cai”. Pegou do chão, rosqueou e abriu pra mostrar o alho devidamente amassado. Nunca imaginei sentir o cheiro de alho amassado no trem. Ainda bem que a porta ainda tava aberta  esperando o deus da supervia nos deixar seguir viagem.
A porta fechou e logo chegou na rodoviária. Andei uns 10 minutos da estação até lá, comprei passagem e logo embarquei, quase perdi o ônibus. O seguinte só 4 horas mais tarde. O motorista se apresentou e disse que passaria no campus da Rural, que tinham, talvez, 3 passageiros pra entrar lá. O nome do motorista era Oscar – igual do jogador de basquete e não do prêmio de cinema – ele tava meio puto de ter que passar por lá. E pelo que lembro sempre rola um trânsito chato naquelas ruelas.
Na rural, uma das universidades federais do rio, apenas uma menina entrou. Era loira, de cabelo bem encaracolado, olhos azuis. Parecia saída de um quadro da época do Brasil colônia.
Ela sentou do meu lado – Não imediatamente ao lado – Na mesma fileira, do outro lado. Eu numa janela e ela noutra.
Ela tinha uma marca de bolha na sola do pé. De uns 5cm. Daquelas que só se consegue andando descalço na rua. Logo que vi, me identifiquei  com ela. O ônibus parou em Queluz, saí pra dar uma mijada e pegar um café. Eu podia pegar o café e sair pro ônibus, mas vi que a menina tinha sentado em uma das mesas. Como estava meio cheio, não seria muito estranho eu me aproximar e pedir pra sentar junto. Foi o que fiz. Puxei um assunto qualquer. Daqueles que não se está interessado pela resposta. Tanto que não  lembro de nenhuma – perguta ou resposta.
Voltamos pro ônibus, sentamos um em cada lado da fileira. Quando o ônibus saiu ela fez um olhar convidativo. Entao falei “acho que você  vai gostar desse som” tirei o fone de ouvido da mochila e sentei do lado dela. Ela botou o fone e ficou escutando. Ela tinha uma cara meio zen, porém, meio barraqueira. Dei play na lista do caetano e fui. Em 2 músicas estávamos nos pegando. Chegando na altura de Taubaté, desabotoei a calça jeans dela, abri de leve. Quem diria que sentiria num transporte público um aroma de alho duas vezes num dia.

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