Adaptar-se – Crônica

eu tinha graxa nas mãos e o homem disse:
– ali para tirar a graxa.

Eu parei a bicicleta no cruzamento e me gritaram qualquer coisa.
Eu ignorei.

Tentaram me derrubar da bicicleta enfiando um guarda chuva entre os raios da roda.
Eu desviei.

Fazia frio outro dia. Havia gelo nas ruas.
Eu não passei frio.

Eu senti o calor de uma amizade que eu fiz aqui, com alguém daqui.
E vinha do coração.
E eu não me adaptei. Todos os dias que eu me vejo cinza no espelho eu sei. Mas o que vem do estrangeiro já não me parece selvagem. Existe ódio, mas existe mais medo. E existe carinho.
E de estrangeiro aqui nem eu, nem ninguém mais.

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