O Minotauro do Meio Mamilo – Conto

Certas vezes, meus sonhos parecem canais mudando. Essa noite eu estava sendo perseguido por gatos. Eu fugia como louco, mas a cada fresta que eu encontrava pra me esconder, um deles aparecia querendo me fatiar com suas garras medonhas, eu tinha luvas de kickboxing e fazia umas aberturas de pernas como do Van Damme no Grande Dragão Branco. Do nada o canal mudou, e estava montado num cavalo numa espécie de hotel-fazenda, nada fazia muito sentido e em certo momento acordei. Já passava de meio dia e a profundidade dos meus sonhos são diretamente ligadas à quantidade de baba que deixo pra trás no travesseiro.

Lá pras 20h me chamaram pra um bar no centro da cidade. Dois amigos que não via há alguns anos. Bebemos cerveja essa noite. Conversamos sobre as coisas que tinham acontecido nesse tempo em que perdemos contato. Cerveja realmente é uma bebida que me enfraquece rapidamente. Lá pela quinta garrafa eu já estava bêbado. Mas era como se minha visão perdesse as bordas, que ficavam cada vez maiores e mais escuras. Depois de umas horas no bar, só me restava um pequeno buraco na minha visão, como se estivesse com um binóculo sem zoom. Eu olhava pra eles com certo medo, mas eles estavam bem tranquilos. Tocava no bar uma banda extremamente ruim, tocavam Beatles… e eu sabia disso pela letra, e não pela melodia. Um som atravessado, totalmente caótico.

Minha visão ficava cada vez mais reduzida. Até que vi um cara na mesa ao lado, o único negro do local, tava de terno branco com um cigarro na boca. A iluminação do local era precária, mas ele brilhava em meio àquela penumbra do bar, como se tivesse um ponto de luz só pra ele, o lugar mal tinha 5 mesas e em certo ponto, totalmente bêbado, eu pisquei – uma piscada mais longa, ébria. Quando abri, o lugar estava tomado de gente. Mais de cem pessoas num lugar onde mal cabiam vinte. O cara de terno se levantou e veio na minha direção, era incrível como naquele lugar lotado, ele andava sem esbarrar em ninguém, passava entre as pessoas como se fosse água entre as pedras. Chegou na mesa, estendeu a mão, me disse “bem vindo” e foi embora. Iara e Lucio olharam com um olhar de reconforto e disseram “Relaxa. Aproveita, que não é com todos que ele se conecta”. Nesse momento uma piscada mais longa pra tentar voltar à realidade e, quando abri os olhos, o som da banda tinha ficado profissional, fluido, o lugar estava fervendo, todos curtindo e dançando. A vocalista da banda, que até o momento, eu não tinha percebido ser uma mulher, me olhou fixamente nas três músicas seguintes. Minha amiga, iara, falou “tá vendo a vocalista? É irmã do Bruno” – bruno era um amigo das antigas. E realmente percebi que eles tinham uns traços em comum.

Eu só tinha bebido cerveja. Mas eu estava totalmente louco, como se tivesse comido um pedaço de peiote. Quando percebi eu estava num quarto e a vocalista estava em cima de mim, a irmã do Bruno.

Ela tinha uma espécie de meio mamilo, como se tivesse tomado uma espadada. Cheia de pelos no sovaco e pentelhos enormes, parecidos com uma palha negra. O cu parecia um rolo de fita de maquina de escrever, grande e preto, quase um disco de hockey. E meu pau – até olhei pra ele com certo orgulho – continuava de pé. Eu tava doidão. Tenho certeza que sóbrio isso seria impossível. Ela estava por cima durante todo o ato, e quando ela gozou, juntou as mãos atrás da cabeça puxando o cabelo e, puta que o pariu, ela ficou a cara do Bruno. Incrível como eu não broxei esse dia. Não lembro muito, apenas no final do dia lembro-me de estar perdido no banho, tomei um bem demorado, passei mais tempo no box, perdido, do que Ícaro no labirinto, que era minha mente, fugindo da memória dela, que era o Minotauro. Em algum momento, derroto o minotauro, pego minhas asas e fujo daqui.

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