felicidade do escritório

Amanda parecia sempre meio triste. Suspirava demais pra falar das coisas da vida a dois. Casou nova, pouco depois dos 18. Namoro de adolescência. Linda, tinha um corpo maravilhoso e era extremamente simpática. Pergunto-me se seria assim se não fosse casada. Ela gostava, no fundo, de se sentir desejada. Às vezes provocava, mas à sua maneira. Tímida, fazia pose de revista pra beber água, parava com o peso quase todo sobre uma perna, avolumando os glúteos – sempre do lado direito – e meio de lado, inclinava a cabeça pra levar a garrafa até a boca, com o dedo mínimo levantado. Era branca de cabelos lisos e negros. Eu sabia que nunca teria nada com ela. Eu não dava em cima dela, mantinha uma relação bem respeitosa, mantendo sempre uma distância de, no mínimo, 30 centímetros ao conversar, nunca encostava nela ao falar.

Eu estava na frente do computador, sentado e ela sentou do meu lado. Apoiou-se na mesa, invadindo o raio de segurança de 30 centímetros, me olhando por cima, meio de lado, passou a mão, bem leve e rapidamente em minhas costas. Ela não olhava na minha direção por muito tempo. Falava com olhar fixo à frente, um pouco acima. Como se estivesse olhando algo na parede a alguns centímetros acima da linha dos seus olhos, um olhar perdido, olhos suados, brilhantes… Olhos tristes. Aquela bunda redonda de um volume maravilhoso sendo moldada ao se apoiar na mesa, a banda direita. Parece que ela sabia que era sua melhor arma. Pelo canto da visão olhava, na altura dos meus ombros, a bunda dela apoiada na mesa. E me perguntava, entre uma virada e outra na sua xícara de café, se eu ainda estava escrevendo, dizendo que queria ler mais coisas minhas, dando uma leve apertada no meu trapézio enquanto terminava a pergunta. Ela tinha um jeito tímido de fazer isso tudo. Era frágil, não parecia estar se atirando, como outras faziam. Ela só ficava ali, conversando como uma pessoa que não quer nada de você além de uma conversa agradável. Mas no fundo ela queria ser olhada. Antes de ir embora do trabalho, sempre passava no meio de todos, sem deixar de se despedir de nenhum homem que, no fundo, a desejava.

 

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