uma crônica esquecida.

Durmo em meio a livros de poetas surrealistas, meu cobertor não combina com o lençol ou com a fronha do travesseiro, mas são quentes e confortáveis, nessa noite fria. Na escrivaninha folhas e mais folhas de contos e poemas inacabados. Goteira no chuveiro. De vez em quando, a luz, mesmo apagada, pisca. Fico inventando coisas para pensar – não quero dormir – quero me punir. Preciso acordar cedo. Mas no fundo, não quero dormir. Quero acordar mal. Acendo as luzes. “Será mesmo que precisamos de tanta comida assim? 3, 4 refeições diárias? Por que não só uma ou duas? Às vezes nenhuma.” Estou há 24h sem nada, nem comida nem líquido. A fome está ligada à ociosidade. Talvez não a fome, mas a vontade de comer, de preencher espaços vazios. Encher as lacunas com comida. Mais uma punição.

Apago as luzes. Silêncio demais, meus pensamentos parecem gritar. Não me deixam dormir. Logo, logo o corpo entra em modo de economia de energia, por falta dela.

03-10-16

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