Taças, textos e transas de quarta-feira

Quando subi na cama, dei um coice na taça de vinho que estava na cômoda. Não liguei muito. Tirei o notebook da cama e botei no chão. Os livros, como sempre, continuaram espalhados na cama e ali fudemos, do lado do poema sujo do Ferreira Gullar. Transamos uma – dormimos; duas – conversamos; três – discutimos. Saí da cama e fui pegar uma vassoura. Juntei os cacos no canto do quarto. Nem fudendo que limparia aquilo àquela hora da noite. Dei a volta na cama e vi minhas 150 páginas de história sendo lentamente apagadas. Deixei meu fone de ouvido em cima do teclado pressionando a tecla backspace. Foi uma cena linda de ver. Principalmente porque nada do que eu tinha escrito hoje tinha sido salvo. E lentamente sendo apagado, fudeu todos os salvamentos automáticos. Quando batia meia noite, eu virava um capeta, altamente implicante. Ela sempre saía daqui de casa me odiando. Com uma cara PUTA. Uns minutos depois de ela ir eu recebi uma mensagem: “hoje eu me detesto por não te detestar, seu filho da puta”. Hoje, ou em qualquer dia, eu não me detesto por nada, mas tudo está se desfazendo – Taças, textos e transas de quarta-feira.

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