Acordei nu em Taubaté

FILIPE

Lucio e Mazzaropi (chamamos ele assim pois, um dia, bêbado, ele acordou gritando isso sem nenhuma explicação) vieram do Rio me visitar. Lucio propôs que fôssemos num show da Ludmila, na Royal. Uma balada branca do Itaim.
Pagamos 100 conto pra botar os nossos saltinhos dentro do estabelecimento.
Nunca tinha visto tanta gente branca dançando funk. Coisas que São Paulo te proporciona. Lucio estava se atracando com uma mulher aleatória e à cada 10 minuto encontrava ele no banheiro com a boca sangrando. Tinha arrebentado uns pontos que tinha feito no dentista mais cedo.
Pra mim já tinha dado. Às 5h fui embora de taxi, 10h no dia seguinte tinha que trabalhar.
De noite ele me ligou:
– “LEK… ACORDEI NU EM TAUBATÉ”.
-“Taubaté? Não era Tatuapé?” (acordar/ficar nu nos lugares era bem comum).
-“NÃO… TAUBATÉ, MONTEIRO LOBATO, MAZZAROPI”.

LUCIO

“TÁ DOIDÃO? LEVANTA, FILHO DA PUTA.” Serviu como bom dia, naquela manhã incomum de verão. Eu tava trajando um pedaço de pano que mal cobria as 7,5 polegadas da minha virilidade, levantei cambaleando na esperança de alcançar a pessoa que tão carinhosamente me acordara.
Ao descer as escadas, relutei durante minutos antes de fazer a pergunta que nunca tive que fazer antes na minha vida “que CARALHA de lugar é esse?”. Fui de encontro a recepcionista do que parecia ser um hotel de luxo e perguntei: ” Bom dia, sabe como eu cheguei aqui?” num esforço heroico para não rir diante da minha situação, ela respondeu: “ Senhor, vou ter que convida-lo a se retirar.”, tentando utilizar de todo o charme que a situação me pusera implorei por roupas para cobrir minha vergonha e minha existência.
A beira de ser jogado na rua, surge ele, no auge dos seus quase 2 metros de altura e afro-descendência, o segurança que jogou a corda na qual pude me segurar do fundo do poço e disse a lembrança que tinha de mim na noite passada: ”Eu vi esse doidão chegando aqui, com uma loura e mais um amigo gritando “Mazzaropi!!! Capivara!!! Mazzaropi!! Capivaraa!!”. Foi ali que eu tive um flashback, digno dos melhores episódios de ‘as visões de Raven’ de parte do que havia acontecido, no entanto sem a mínima ideia do porquê da nudez. A moça então gentilmente me cedeu uma roupa do staff.
Horas se passaram até que eu o avistei, Mazzaropi, acompanhado da bela dama e com meus pertences na mão, ao me avistar todo de branco deitado no sofá, exclamou sua alegria como se fosse Cabral avistando as “Índias”. “Arrombado!! Tu é muito doido!!! Rue-rue-rue-rue” mesmo depois de todo o esclarecimento que ambos me trouxeram, ainda paira uma nuvem de dúvida na minha cabeça:
Se tatu tem pé, mas não mora no Tatuapé, quantas tábuas teria um barraco em Taubaté?

mazzaropi34
Amácio Mazzaropi.

PS: Após nosso amigo acordar gritando ‘MAZZAROPI’ sem explicação nenhuma, descobrimos que Mazzaropi era um grande cineasta brasileiro. Isso aconteceu faz uns 10 anos. Fato bizarro: no dia, botamos no canal brasil e estava passando um filme dele, logo depois, no esporte espetacular fizeram uma matéria sobre um goleiro de mesmo nome. E o Mazzaropi cineasta… era de TAUBATÉ!

PS2: Capivara foi o que um outro amigo nosso acordou gritando um dia de carnaval em MARICÁ, que em breve aparecerá nos contos “meu amigo comeu saco plástico” e “peguei um ônibus na lapa e acordei na lapa”.

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1 comentário Adicione o seu

  1. Mauricio disse:

    E Mazzaropi era caipirinha.

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